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** Lilith **

20/06/2004 23:47
Olá poucas almas perdidas que visitam esse blog..
Como ando meio estressada com o blig resolvi mudar para o weblogger..
pelo menos lá eu posso mudar meu template, colocar figuras,etc
Para aqueles que se interessarem em me visitar no meu novo lar é só clicar: http://www.vamp_lilith.weblogger.terra.com.br
Obrigada a todos que me visitam...
enviada por Lilith



21/04/2004 01:25
Dançando com o Demônio

Por Alcides/Tetsuo

Sentado no quarto escuro ele aperta com força o embolo da seringa, pressionando-o até o final.

Sons distorcidos e imagens disformes tomam conta da sua mente, fazendo-o esquecer a loucura da noite passada. Por minutos ele "viaja" completamente livre, desprovido de preocupações, sem ter de pensar nas anotações e nas coisas inacreditáveis que descobriu.

Então, começa a ouvir estrondos ininterruptos. Com dificuldade vira o rosto na direção dos sons e vê luzes brilhantes explodindo-se numa profusão de cores e formas, misturando-se com os gritos, buzinas e risadas.

- Feliz Ano Novo!

Rindo, lembra-se da data. Cambaleante levanta-se e recosta-se na janela, observando o show de fogos de artifício e de pessoas.

- Feliz Ano Novo!

Ele sente vontade de gritar também. Talvez até tenha gritado sem ter se dado conta disso, mas não é de alegria ou prazer, muito menos suas risadas o são... São risadas ácidas, que deixam um amargo retrosabor na boca.

- Uma piada de mau gosto.

Inicia uma gargalhada que vai se tornando um acesso de riso, e quando seu fôlego se perde, começa a misturar-se com um choro convulsivo. Entre lágrimas, pega os papéis sobre a cama e os coloca de encontro ao rosto.

– Por que tanta alegria, Jay?

– Ora, vá pra merda! - diz ele sem fazer menção de querer olhar pra mim. Está mesmo desesperado, nem sequer se importou que eu tenha entrado em seu quarto.

– Feliz ano novo para você também, Jay.

– Há quanto tempo está aqui? Quer tripudiar sobre a minha carcaça, não é? Já conseguiu o que queria, agora vá embora!

– Uma pergunta de cada vez... – pobre coitado, parece que vai enlouquecer – Estou a tempo o suficiente pra saber que já basta pra você. Pare de nos caçar amigo...

Ele fica em silêncio e eu também. Em sua mente, posso ver cenas e trechos de suas inúmeras tentativas infrutíferas de destruir-me.

– Itália! Mas que bela memória, Jay! E que belas recordações também! Não foi lá que você conheceu aquela garota? Como é mesmo o nome dela?

– Cale-se!

– Iolanda? Não... Mas é claro! Isabela! Como pude me esquecer? Ela era realmente deliciosa, não é mesmo? - saboreio cada gota do ódio que começa a contagiá-lo. Seu sangue ferve. Ah... Adoro isso.

De um pulo, salta sobre minha garganta com ferocidade. Deixo que me derrube ao chão sentindo a ânsia animal que tomou conta dele. Incessantemente passa a me golpear no rosto, mas diante de minhas risadas e zombarias, ele pára derrotado. Empurrando-me com força se afasta, dando-me as costas.

– Por que faz isso comigo? Por que não me matou antes? Nunca fui páreo para você!

Limpando um fino filamento de sangue que escorre do canto esquerdo da minha boca me levanto.

– Ora Jay, não se subestime assim. Você É excepcional... Primeiro por ter descoberto sobre mim, depois por ter conseguido me seguir pelos últimos 30 anos. A sua única desvantagem amigo, é que seus ossos estão velhos e fracos, e eu a cada dia torno-me mais poderoso.

- Ódio frio... Vamos lá, é isso que eu quero!

– Você sabe que se tornou uma disputa injusta nos últimos tempos... Mas somente nos últimos tempos. Por várias vezes você quase conseguiu me destruir. Lembra-se do Brasil? Por apenas um quarto, um mísero quarto de hora você não me pegou durante o dia em meu refúgio! Mal tive tempo de me esconder.

– Sim, não sou mais páreo para você. Vá embora ou me mate! - ele vira-se para mim com o tom enérgico de antes. Seu corpo pode ter tornado-se fraco, mas seus olhos ainda exibem a antiga determinação.

– Não vou matá-lo Jay.

Deixo o silêncio se interpor de novo entre nós.

Os olhos frios dele me encarando. Como há anos atrás. Eles parecem querer me dizer: "Vou te pegar!" Por minutos permanecemos assim.

– Vim para ajudá-lo... A morte de seus companheiros o afetou demais. Você encontrou um oponente formidável a noite passada, mas escapou ileso. E pelo que sei está em posse de alguns documentos realmente esclarecedores.

Eu o vejo estremecer. Está começando a perceber.

– Você veio por causa dos papéis? Leve-os, não me importo!

– Está bem, mas aviso-lhe que já cuidei das cópias que você enviou a seus amigos da Europa. Infelizmente eles não ficarão sabendo das nossas "covens" internacionais.

Deliciosa a sensação quando ele começa a dar-se conta do quanto está perdido.

– Não faz mais diferença, não me afetam mais suas zombarias. Agora eu sei o quanto minha luta é inútil, não tenho forças para enfrentá-lo, nem toda sua raça maldita.

– Você perdeu as esperanças em Deus? Quais respostas procura? – não posso deixar de sorrir ao perguntar-lhe.

– Por muitos anos achei que estava em uma missão sagrada, que um desígnio sagrado me havia sido ordenado. Mas depois do que vi ontem, depois de ter comprovado a força e o poder daquele vampiro não acredito mais que vocês possam ser vencidos – dando de ombros ele completa – Eu desisti...

– E agora você corre perigo, Jay. E vim aqui por isso também. Você sabe demais, meu amigo. Logo os outros estarão aqui. Sabe que Lorraine não o matou antes porque não permiti. Ela não se esqueceu do que você fez às crianças dela.

De novo os olhos frios. Que saudades deles...

– Acalme-se Jay, não quero que morra. Nossa dança, nosso balé mortal ainda não chegou ao fim. Nem sequer estamos no último ato.

– Não quero mais caçá-lo, Victor, o jogo acabou. Deixe que venham, vou somente esperar a morte.

– Ela vai demorar a chegar, Jay. Talvez nem chegue...

Saboreio o peso e o efeito das minhas palavras quando finalmente ele se dá conta do que está prestes a acontecer.

Reflexos lentos. Com facilidade tomo a arma de suas mãos antes que ele consiga estourar seus próprios miolos. Caindo para trás, tenta chutar-me e afastar-me com os pés. Com força puxo-o para mim, imobilizando-o. Faço questão de mostrar-lhe minhas presas quando as tiro para cravar meus dentes em sua pele. O sabor denso do sangue inunda minha boca e invade minhas narinas, passo a beber, sentindo o corpo dele amolecer, com prazer redobrado aprecio o êxtase que ele sente. Exuberante, a escuridão o abraça e acolhe. Sua mente se limpa, uma tábula rasa.

Deito-o sobre a cama e curvando-me sobre ele, deixo cair umas poucas gotas de sangue do ferimento que abri em meu pulso sobre os seus lábios.

Imediatamente sinto-o voltar. Ferocidade, urgência. Os flashes em minha mente tornam-se caóticos e desordenados. Sinto-o agarrar meu pulso e mordê-lo em seguida. Minhas forças começam a se esvair, a passar para ele. Por um instante lembro-me de como foi com Helènne. Usando de toda minha força, liberto-me e rolo para um canto do quarto, atordoado.

Após alguns instantes, ainda abalado, levanto-me e o observo ainda transformando-se, sua pele macilenta e enrugada tornando-se pálida e quase "jovem", suas unhas tornam-se brilhantes e resistentes.

Com leveza, acaricio seus cabelos agora finos e sedosos.

– Jonathan, tenho certeza que não vai querer se matar, não é mesmo? A partir deste momento, não posso mais ler seus pensamentos ou ver as coisas que você vê. Sua mente agora está fechada para mim, meu querido, mas eu tenho certeza disso.

Apesar de estar retorcendo-se de dor, tenho certeza que está ouvindo-me, e com satisfação continuo falando.

– Agora você é também um imortal, agora é um de nós, e com o conhecimento que tem será um formidável vampiro. Estamos em igualdade agora. Finalmente tem as ferramentas para vingar todo o mal que lhe causei e todos os entes queridos que lhe tirei. Caminharemos ambos pelas sombras agora, Jonathan. Com a incerteza de quem será predador ou presa.

Com delicadeza, curvo-me, beijando-lhe a fronte.

– Vamos ao próximo ato, querido...


enviada por Lilith



13/03/2004 16:19

enviada por Lilith



13/03/2004 16:16
- Adivinhe quem vem para jantar -

Eram mais de dez horas da noite. Giulia (sentada lendo as propostas de criação para seu cliente) não costumava receber pessoas a está hora no escritório, mas o trabalho de criação nunca tinha hora para terminar.
O cliente vinha dos Estados Unidos e ela não o conhecia pessoalmente, apenas por telefone, Jeremy era seu nome.
Ela estava sozinha e cansada. Quando finalmente alguém bate na porta.
- Ela abre e um homem alto, cabelos longos, e presos como um rabo de cavalo e os olhos que pareciam duas labaredas de fogo, olham para o rosto de Giulia e para todo o escritório!
- Desculpe a demora Giulia!
Sua voz era suave e calma. Giulia tentou responder no mesmo tom mas o sorriso daquele homem era encantador, os dentes perfeitos e brancos como se fosse um recém nascido, e ele segurava nas mãos de Giulia tão carinhosamente e eram tão macias que não pareciam ser de um homem! Ele olhava para Giulia como se estivesse procurando algo em seu pescoço!
Usando de toda a delicadeza o visitante disse... - Não vai me convidar para entrar?
Claro!! - Ela dizia olhando para os papéis e torcendo para que ele também olhasse e desviasse a atenção sobre ela.
Ele ficou olhando para os papéis junto com ela mas, logo em seguida, ele tornava a olhar para seu rosto!
- Você é admirável!
- Obrigada mas... sobre o projeto...
O telefone toca e Giulia quase que derruba o telefone no chão de tanta euforia! - Alô . alô?
- Giulia, sou eu, Jeremy!
Ela muda de cor e fica pálida. O homem olhava o projeto e perguntava se foi ela que fez...
- Sim fui eu mesma eu e minha equipe!
No outro lado da linha Jeremy falava com ela...
- Quando poderemos nos encontrar novamente?
O homem que estava olhando a mesa de Giulia viu o telefone ... aquele aparelho moderno onde os números das chamadas são registradas e tem o nome de quem liga! Para a sua surpresa o nome que estava em cima do número era Jeremy!
- Quarta-feira pra mim esta ótimo! Esta ok pra você?
O sinal havia caído!
Ela teve apenas uma fração de segundos para ver que aquele homem havia desligado o telefone e estava quase aguardando o pescoço da Guilia.
Desviando daquelas mãos que outrora eram macias ela corre pelo escritório tentando escapar.
Então aquela montanha segura o braço da Giulia e ela não tem outra saída se não, revidar!
Agarrando o pescoço dele ela levanta aquele homem a meio metro do chão, Ele agarra a mão dela tentando se libertar! Ela sorri!
- Quem enviou você?
- A igreja... eles me pagaram pra isso!
O falso Jeremy retira uma estaca do seu sobretudo e Giulia segura o braço do Caçador com a outra mão.
- Não foi rápido demais, Jeremy!
Chegando perto da janela o homem fica louco e implora por clemência!
- Por favor moça estou apenas trabalhando... é o meu trabalho!
- Giulia empurra o homem para fora do prédio e segurando, com apenas uma mão, ela diz!
- O meu também!
Giulia solta o homem e enquanto ele grita, esperando pelo seu fim, ela olha para a lua...
...e sorri!

Autor Adriano Siqueira

enviada por Lilith



27/02/2004 00:27

enviada por Lilith



27/02/2004 00:18
Jaz, fixando o céu noturno, supina sobre o enevoado cume de um monte; embaixo, há um tremular de terras distantes. O seu horror e a sua beleza são divinos. Sobre seus lábios e suas pálpebras ousa a formosura como uma sombra: irradiam dela, ardentes e embaciadas as agonias da angústia e da morte que, embaixo, se debatem.
Não é tanto o horror, mas a graça a empedrar o espírito do observador, sobre quem se cinzelam os lineamentos daquela face morta, até que os seus caracteres penetram-lhe, e o pensamento se turva; é a melodiosa tinta da beleza, sobreposta às trevas e ao esplendor da punição que torna humana e harmoniosa a impressão.
E de sua cabeça, como se fosse de um só corpo, surgem, tal qual ervas de uma rocha úmida, cabelos que são víboras e se contorcem e se estendem, e entrecruzam os seus nós, e em infinitos rodeios mostram o seu esplendor metálico, quase escarnecendo da tortura e da morte interiores, e cortam o ar com suas mandíbulas rachadas.
E de uma pedra ao lado, um venenoso sardão se demora a espiar aqueles olhos gorgôneos, enquanto no ar, atônito, um horrendo morcego é adejado fora da furna onde aquela amedrontadora luz surpreendeu-o e se precipita como uma traça à luz; e o céu noturno relampeja de uma luz mais amedrontadora que a escuridão.
É o tempestuoso encanto do terror: das serpentes lampejam uma cúprica fulgência acesa nesses inextricáveis rodeios e cria em torno um vibrante halo, espelho móvel de toda a beldade e de todo o terror daquela cabeça: um vulto de mulher com crina vipérea, que na morte contempla o céu das tochas úmidas.
É o tempestuoso encanto do terror...


enviada por Lilith



24/02/2004 10:57
Um louco

Quem era aquele que me atormentava o sono desde tempos idos? De quem era a face deformada do outro lado do espelho?

E eu pegava no sono.

E a menina dançava mecanicamente.

E girava, girava....me deixava tonto com suas pequenas esperanças. E eu acordava cansado, tremendo. Meu corpo exigia um pouco daquilo que me mantinha respirando.

A dor.

O asco.

E a visão escurecia, e tudo se calava.

Mas a menina dançava freneticamente, enquanto o palhaço ria mecanicamente, e eu ainda via a face do homem morto presa às fendas atrás do espelho. Cuspiram o medo coagulado em um copo seco, e o milagre sonolento passeava por ruas ermas em busca de gargantas inocentes para se saciar da doença que embebeda os loucos, os profanos, os vermes que, como eu, se esgueiram noite adentro atrás de...

Com o passar das eras, percebi que sou agora o homem morto. Sou a doença que corrói a alma. Sou o verme, o louco, o profano que rasga gargantas em busca da salvação - aquela que não existe - no homem.

Sou o milagre.

Sou um carniceiro.

Sou a sombra que ecoa pelos cantos da casa antiga.....


enviada por Lilith



25/01/2004 23:12
Eu vi num site essa matéria, e achei muito boa, e resolvi colocar um pouco dela aqui...

Gunther von Hagens
O escultor da carne humana

Neste mundo contemporâneo, as mudanças que no fazer artístico cada vez confunde mais ou instiga mais. Algumas releituras e outras tantas criações radicais. A fusão das duas parece ser a intensão do alemão Gunther von Hagens. Formado em medicina pela Universidade de Heildelberg, na antiga Alemanha Oriental, ele logo percebeu o caminho paralelo entre a arte e o seu trabalho.
Macabro, apelativo ou arte? Inaugurada no Japão em 1996, a exposição "Body Worlds" chegou a Londres causando um enorme barulho, protesto, controvérsias e o que todo artista gosta, muita atenção.
"Body Worlds" apresenta, por exemplo, um cadáver montado em um cavalo e segurando um cérebro com a mão esticada. Um mulher como se nadasse no ar e cortada ao meio. E a obra mais polêmica, uma mulher, grávida de oito meses, dissecada, com o feto aparecendo em seu útero.
Com esta temática, os críticos ingleses cairam em cima. Segundo alguns deles, a exposição não passa de um show de horrores vitoriano. Von Hagens responde: "É óbvio que o problema de se negar a morte é um problema da pseudo-intelligentsia artística". Eu iria até mais longe. É um problema moral ultrapassado e infantil, um lado irracional e protecionista que não admite beleza no corpo humano após o término da vida, um problema reacionário e quase religioso. Trabalhar com a carne humana inerte é impactante, desperta questões estéticas e filosóficas. Típicas de um estilo saudosista de ser fazer arte, onde estes dois pontos, estético e filosófico, tinham mais valor do que um mero conceito rabiscado ao lado de uma instalação.




enviada por Lilith



13/01/2004 01:40

enviada por Lilith



13/01/2004 01:26
Véu da Escuridão


O véu da escuridão cai...

E a lua sorri nos céus...

Eu posso senti-la me chamando, da escuridão...

Mil vezes eu já senti, e ainda parece como da primeira vez...

O gosto de sangue queimando minha garganta.

E você sentira mesmo...

Eu estarei aqui para guia-la e guarda-la, não tema.

Mas apesar de eu estar aqui, você sempre estará só....

Assim como eu...

E quando o véu da escuridão cair, você se sentirá em casa...

Deixe fluir pelas suas veias, pois este é o tom de sua alma...

E lembre-se, eu sou o único que você tem agora...

O único...

Mais que um Deus para os que morrem,

Mais que um Anjo, mais que um Demônio...

Eu serei para você aquele que você amará e odiará

Eu fui a sua morte, e agora sou a sua vida...

Ouça o sangue te chamando, sinta-o queimando

Ao nascer da noite, você sentira nosso poder se fortalecendo

A essência da escuridão, sua mágica, e a nossa essência, nossa mágica...

Nós somos criaturas da noite, renegadas pelo dia, traídos pelo

Alvorecer...

Nós fomos criados do ódio, Nós somos o ceifado, numa colheita de almas...

Em bruxaria e fogo nos procriamos, na escuridão nós nascemos...

E lágrimas caem de nossos olhos, como sangue chovendo nos céus...

Eu sou o senhor, e você irá se ajoelhar diante de mim e seguir minha herança...

Sem sentimentos para aquele que ama, sem adeus, é tarde demais...

Somente morte e ódio se encontra em nosso caminho...

Mantenha aqueles que você ama à salvo, mantenha-os longe de você...

Beba do sangue daqueles que odeiam, esconda-se e espreite-se no escuro...

Seja minha amante e minha amiga, minha escrava e minha confessora...

Eu serei seu amante e seu amigo, seu senhor e seu carrasco...

E com os outros nós iremos viver e morrer... para sempre...

O véu da escuridão cai...





Por Bruno/Dark Angel

enviada por Lilith



09/01/2004 00:51

enviada por Lilith



09/01/2004 00:47
- Destino -


Um garoto veio ao meu encontro e me disse:
— Por favor, faça ela me amar!
— O amor näo posso dar! Pois há sombra em meu coraçäo. Mas, se desejas të-la, entäo ela te pertencerá até a morte. É assim que queres?
— Depende, meu senhor. O que quer em troca?
— Näo quero barganhar contigo... mas sofrerá por causa desta escolha!
Sem entender, o garoto saiu de perto de mim, sorridente e confiante de que ela seria finalmente sua...
Naquela noite, a garota apareceu no quarto do garoto..
— Venha, meu querido! Pois agora eu sou eternamente sua...
O garoto estava täo feliz que as palavras näo saíam de sua boca ele a abraçou... foi muito romäntico.
Mas a melhor parte, que fez-me gelar de satisfaçäo, foi quando ela finalmente o mordeu e escutei o grito do garoto ecoar por todo o quarteiräo!
E vocë... quer minha ajuda?


enviada por Lilith



25/12/2003 21:50
Eu odeio o natal e toda sua futilidade,mas como achei essa versão linda de papai noel tive que colocá-lo aqui!!





enviada por Lilith



16/11/2003 23:48

enviada por Lilith



16/11/2003 23:44
Adeus, Meus Sonhos

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus? morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!

Álvares de Azevedo

enviada por Lilith



18/10/2003 15:35

enviada por Lilith



18/10/2003 15:25
No silêncio da noite, no escuro.
Só ele na rua, só ele brilha naquela escuridão.
Pessoas de preto se aproximam.
Uma sensação de medo e arrepio.
Rostos brancos, lábios pretos.
Ele continua brilhando, só ele.
O brilho dele impressiona a todos e ele torna vivo o
morto da escuridão.
Eles passam assustados.
Atravessam, silenciosamente, o cemitério .
Só ele consegue tornar vivo o sentimento morto deles.
O medo é o sentimento que os torna fracos.
É o sentimento que eles não gostam de sentir.
Mas ele é o único, ele é o dono da noite.
Ele fica no alto.
Em cima do telhado de sua casa.
Uma casa sombria com sangue derramado no chão e
lágrimas
presas num mundo escuro e sombrio.
Um mundo triste.
Mas ele continua sendo o mais poderoso da noite.
Pois ele sabe controlar os seus sentimentos.
Ele é o Corvo...



A Escuridão é uma benção Pois tudo aquilo que procuramos esta na escuridão
Creie, creie, pois ela esta aqui só a nossa espera
Procurando uma brecha para invadir,Invadir seus pensamentos Roubar tua alma Isto sim é viver Viver na escuridão

enviada por Lilith



09/10/2003 10:58

enviada por Lilith



09/10/2003 10:21
O RETRATO OVAL

Por Edgar Allan Poe


O castelo em que o meu criado se tinha empenhado em entrar pela força, de preferência a deixar-me passar a noite ao relento, gravemente ferido como estava, era um desses edifícios com um misto de soturnidade e de grandeza que durante tanto tempo se ergueram nos Apeninos, não menos na realidade do que na imaginação da senhora Radcliffe. Tudo dava a entender que tinha sido abandonado recentemente. Instalámo-nos num dos compartimentos mais pequenos e menos sumptuosamente mobilados, situado num remoto torreão do edifício. A decoração era rica, porém estragada e vetusta. Das paredes pendiam colgaduras e diversos e multiformes trofeus heráldicos, misturados com um desusado número de pinturas modernas, muito alegres, em molduras de ricos arabescos doirados. Por esses quadros que pendiam das paredes - não só nas suas superfícies principais como nos muitos recessos que a arquitectura bizarra tornara necessários - , por esses quadros, digo, senti despertar grande interesse, possivelmente por virtude do meu delírio incipiente; de modo que ordenei a Pedro que fechasse os maciços postigos do quarto, pois que já era noite; que acendesse os bicos de um alto candelabro que estava à cabeceira da minha cama e que corresse de par em par as cortinas franjadas de veludo preto que envolviam o leito. Quis que se fizesse tudo isto de modo a que me fosse possível, se não adormecesse, ter a alternativa de contemplar esses quadros e ler um pequeno volume que acháramos sobre a almofada e que os descrevia e criticava.
Por muito, muito tempo estive a ler, e solene e devotamente os contemplei. Rápidas e magníficas, as horas voavam, e a meia-noite chegou. A posição do candelabro desagradava-me, e estendendo a mão com dificuldade para não perturbar o meu criado que dormia, coloquei-o de modo a que a luz incidisse mais em cheio sobre o livro.
Mas o movimento produziu um efeito completamente inesperado. A luz das numerosas velas (pois eram muitas) incidia agora num recanto do quarto que até então estivera mergulhado em profunda obscuridade por uma das colunas da cama. E assim foi que pude ver, vivamente iluminado, um retrato que passava despercebido. Era o retrato de uma jovem que começava a ser mulher. Olhei precipitadamente para a pintura e acto contínuo fechei os olhos. A principio, eu próprio ignorava por que o fizera. Mas enquanto as minhas pálpebras assim permaneceram fechadas, revi em espírito a razão por que as fechara. Foi um movimento impulsivo para ganhar tempo para pensar - para me certificar que a vista não me enganava -, para acalmar e dominar a minha fantasia e conseguir uma observação mais calma e objectiva. Em poucos momentos voltei a contemplar fixamente a pintura.
Que agora via certo, não podia nem queria duvidar, pois que a primeira incidência da luz das velas sobre a tela parecera dissipar a sonolenta letargia que se apoderara dos meus sentidos, colocando-me de novo na vida desperta.
O retrato, disse-o já, era de uma jovem. Apenas se representavam a cabeça e os ombros, pintados à maneira daquilo que tecnicamente se designa por vinheta - muito no estilo das cabeças favoritas de Sully. Os braços, o peito, e inclusivamente as pontas dos cabelos radiosos, diluíam-se imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que constituía o fundo. A moldura era oval, ricamente doirada e filigranada em arabescos. Como obra de arte, nada podia ser mais admirável que o retrato em si. Mas não pode ter sido nem a execução da obra nem a beleza imortal do rosto o que tão subitamente e com tal veemência me comoveu. Tão-pouco é possível que a minha fantasia, sacudida da sua meia sonolência, tenha tomado aquela cabeça pela de uma pessoa viva. Compreendi imediatamente que as particularidades do desenho, do vinhetado e da moldura devem ter dissipado por completo uma tal ideia - devem ter evitado inclusivamente qualquer distracção momentânea. Meditando profundamente nestes pontos, permaneci, talvez uma hora, meio deitado, meio reclinado, de olhar fito no retrato. Por fim, satisfeito por ter encontrado o verdadeiro segredo do seu efeito, deitei-me de costas na cama. Tinha encontrado o feitiço do quadro na sua expressão de absoluta semelhança com a vida, a qual, a princípio, me espantou e finalmente me subverteu e intimidou. Com profundo e reverente temor, voltei a colocar o candelabro na sua posição anterior. Posta assim fora da vista a causa da minha profunda agitação, esquadrinhei ansiosamente o livro que tratava daqueles quadros e das suas respectivas histórias. Procurando o número que designava o retrato oval, pude ler as vagas e singulares palavras que se seguem:
"Era uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre. E maldita foi a hora em que viu, amou e casou com o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, tendo já na Arte a sua esposa. Ela, uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre, toda luz e sorrisos, e vivaz como uma jovem corça; amando e acarinhando a todas as coisas; apenas odiando a Arte que era a sua rival; temendo apenas a paleta e os pincéis e outros enfadonhos instrumentos que a privavam da presença do seu amado. Era pois coisa terrível para aquela senhora ouvir o pintor falar do seu desejo de retratar a sua jovem esposa. Mas ela era humilde e obediente e posou docilmente durante muitas semanas na sombria e alta câmara da torre, onde a luz apenas do alto incidia sobre a pálida tela. E o pintor apegou-se à sua obra que progredia hora após hora, dia após dia. E era um homem Apaixonado, veemente e caprichoso, que se perdia em divagações, de modo que não via que a luz que tão sinistramente se derramava naquela torre solitária emurchecia a saúde e o ânimo da sua esposa, que se consumia aos olhos de todos menos aos dele. E ela continuava a sorrir, sorria sempre, sem um queixume, porque via que o pintor (que gozava de grande nomeada) tirava do seu trabalho um fervoroso e ardente prazer e se empenhava dia e noite em pintá-la, a ela que tanto o amava e que dia a dia mais desalentada e mais fraca ia ficando. E, verdade seja dita, aqueles que contemplaram o retrato falaram da sua semelhança com palavras ardentes, como de um poderosa maravilha, - prova não só do talento do pintor como do seu profundo amor por aquela que tão maravilhosamente pintara. Mas por fim, à medida que o trabalho se aproximava da sua conclusão, ninguém mais foi autorizado na torre, porque o pintor enlouquecera com o ardor do seu trabalho e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para contemplar o rosto da esposa. E não via que as tintas que espalhava na tela eram tiradas das faces daquela que posava junto a ele. E quando haviam passado muitas semanas e pouco já restava por fazer, salvo uma pincelada na boca e um retoque nos olhos, o espírito da senhora vacilou como a chama de uma lanterna. Assente a pincelada e feito o retoque, por um momento o pintor ficou extasiado perante a obra que completara; mas de seguida, enquanto ainda a estava contemplando, começou a tremer e pôs-se muito pálido, e apavorado, gritando em voz alta 'Isto é na verdade a própria vida!', voltou-se de repente para contemplar a sua amada: - estava morta!"

enviada por Lilith



21/09/2003 12:17


enviada por Lilith






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